quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Resenha Literária: "Sapato de Salto" - Lygia Bojunga





Esse é o meu primeiro vídeo de resenha literária aqui no blog Comunidade dos Pensadores Livres, e fui motivado a fazê-la por essa excelente obra da escritora brasileira Lygia Bojunga que é o "Sapato de Salto". Neste livro se passa a história de uma menina de quase 11 anos chamada Sabrina. Sabrina viveu essa sua primeira década de vida em uma casa do menor abandonado e pouco antes de completar 11 anos é "adotada" por um casal que tem interesse em uma babá para seus dois filhos ainda bebês. Dedicada e atenciosa Sabrina acaba se tornando a babá dessas crianças e uma "zeladora" da casa como um todo. Ali na casa de seu Gonçalves e dona Matilde, onde Sabrina acreditou ter encontrado um lar, e que ela começa a descobrir outra face da dura realidade da vida. Essa é uma história que nos faz pensar nas tantas Sabrinas, nas tantas tias Inês, nas tantas donas Gracinhas, nos tantos Andrea Doria e Palomas da vida. É uma obra intensa que nos leva a refletir temas como sexualidade; prostituição; abuso sexual infantil; homossexualismo; homofobia; machismo; abandono afetivo; entre tantas outras temáticas polêmicas. Vale a pena cada reflexão e cada página lida. Espero que goste de "Sapato de Salto" tanto quanto eu. Deixe sua opinião sobre a obra, a sobre a resenha, dúvidas, etc; aqui nos comentários. Boa leitura!


Deixarei a seguir alguns link's de locais onde podemos continuar o debate sobre essa e outras obras:



Meu perfil no Skoob:

http://www.skoob.com.br/usuario/478288




Literaturas: grupo de leitura e estudos da Casa Plural de Tupaciguara:

https://www.facebook.com/groups/692387520873581/?fref=ts



Casa Plural:

https://www.facebook.com/groups/1640858932869452/?fref=ts

https://www.facebook.com/casapluraltupaciguara/?fref=ts



Todos estes são espaços virtuais destinados ao debate literário e outras artes.


REFERÊNCIAS:

NUNES, Lygia Bojunga. Sapato de salto / Lygia Bojunga. 2ª ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 201.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Monólogo Teatral - Emancip'Àrte

A arte realmente capaz de alimentar a nossa alma e quem presenciou a primeira edição do Sarau Musical Emancip'Àrte sabe disso muito bem disso; pois esta foi uma tarde de um fim de semana de simplicidade, cooperatividade e ao mesmo tempo muita riqueza cultural. Estiveram reunidos, durante aproximadamente 5 horas, artistas, intelectuais, simpatizantes de artes num sentido geral para uma interação mútua de muita arte (música, teatro, poesia, desenho, etc.).
Foi nesse episódio fantástico que o presente monólogo ocorreu, pra ser mais preciso, no dia 10 de janeiro de 2015 e essa foi uma das performances artísticas que ocorreram no 1º SARAU MUSICAL: Emancip'Àrte de Tupaciguara - MG. 
Na presente atuação, Lucas de Freitas (Atirei o Pé no Palco), fez uma adaptação do poema "Lisbon Revisited" do Álvaro de Campos (pseudônimo de Fernando Pessoa), ao som de "Monólogo ao pé do ouvido" Chico de Science & Nação Zumbi e "Internal Flight" de Estas Tonne. Foi uma Tarde de pura arte e muita musicalidade. Confiram um trechinho do que rolou:




Que esse seja o primeiro de muitos com o mesmo nível ou mesmo melhores! Até a próxima!!!

sábado, 4 de outubro de 2014

DEMOCRACIA: formador de opiniões vs Manipulador de opiniões


O modelo de democracia pelo qual o Brasil é regido foi, e é, uma construção social e temporal. Ainda que ela se paute nos ideais clássicos de democracia, podemos dizer que em vários aspectos ela se diferencia dessa primeira. Política e Ética são inseparáveis e as leis são sansões legais que visam nos fazer cumprir as diretrizes morais de uma sociedade, diretrizes que querem se aproximar ao máximo daquilo que acreditamos ser a Ética. Nem todas as pessoas tem a mesma opinião sobre algo ser ou não ser ético. Há quem diga que o aborto deve ser permitido pela lei em determinadas ocasiões, há quem diga o contrário. Então fica a dúvida: A Ética e relativa? Ela muda de pessoa para pessoa? Como então as leis objetivam assegurar um Estado Ético? Mas o que é Ética?
Primeiro, o que podemos afirmar sobre o viés do pensamentos dos grandes estudiosos da Ética, é que esta não é relativa. Ela não muda de indivíduo para indivíduo, mas a interpretação de um fato, sim, pode mudar de um indivíduo para outro.
Mas fica a pergunta: este indivíduo está sendo Ético?
Nem sempre uma sanção legal, ou espontânea, corresponde ao que defendemos como Ético. Por exemplo, um psicopata pode achar prazer na morte de uma pessoa, mas o fato de ele se proteger da prisão, ou evitar a sua própria morte, sanciona que está fazendo algo errado, ou seja, matar.
Poderíamos questionar: mas um suicida não acha que é errado, e nem teme, tirar a sua própria vida?
Tudo bem, mas aquele que decide, de forma patológica, ou não, tirar a própria vida, nem sempre concordará em tirar a vida do outro, principalmente das pessoas a quem ele estima. O que afirma que é errado matar e que, ainda que ele acredite ser a solução de seus problemas, tirar sua própria vida fere princípios éticos.     
O defensor deste ponto de vista poderia insistir dizendo: e aqueles suicidas que antes de tentarem sobre sua própria vida, tirou antes a vida de vários outros?
Nesse caso pode-se interpretar que se trata uma pessoa que estava doente ou num estado de confusão mental por alguma razão que precisa ser apurada. É difícil estabelecer o que a pessoa estava sentindo; ou então, ela simplesmente optou por não ser uma pessoa ética. Mas negar a ética e afirmar a existência dela, pois para se negar algo, esse algo deve existir para ser negado. 
E assim poderíamos seguir esse dialogo sobre a Ética, mas esse não é o foco do presente artigo. Este se inicia com estes questionamentos apenas para mostrar o quanto é difícil formar uma opinião sobre algo. É um processo lento e minucioso. Formar opiniões sobre temas polêmicos e que são tabu ou pivô de discórdia em várias sociedades exige cuidado e bastante reflexão. Temas como a legalização ou não das drogas; do que é ou não um ato racista; de como a sociedade lida com a homossexualidade; como lidar com o aborto; como lidar com a prostituição; etc. são alguns dos temos que exigem debates e reflexões com vários pontos de vista, para se formar uma opinião ética a respeito.   A pessoa que estiver disposta a ser um formador de opinião deve saber que durante o seu trajeto surgirão vários questionamentos, mesmo acusações e dentre elas provavelmente estará a de ser um manipulador de informações.
Formar opinião é uma coisa, manipular é outra totalmente diferente. Ajude as pessoas a formar a opinião delas, pois é assim que se constrói um país democrático, pois foi assim que a democracia surgiu na Grécia Antiga, através do diálogo no Ágora, que era o espaço onde o cidadão defendia suas ideias e ideais políticos. O modo de vida na Polis (a cidade-Estado grega) era decidida na Ágora, porém é importante ressaltar que a democracia grega foi romantizada ao longo dos anos, pois hoje tem-se, no senso comum, o pensamento de que na política grega desta época tudo funcionava de forma harmoniosa e democrática, só lembrando que a democracia vem do grego (Demokratia: demo + kratia. demo = povo e kratia = poder... é claro que em uma transliteração bem grosseira da minha parte) e correspondia aos "demos", que eram povoados que cercavam as cidades-Estado de maior importância política dessa época. Esses "demos", ou povoados, se reuniam na "ágora" das polis para definirem o que era melhor para cada cidade. No mundo grego dessa época vigorava muita tirania, o próprio filósofo grego Platão chegou a ser vendido como escravo por tentar dialogar com um desses tiranos. Os "demos" que conseguiram se destacar politicamente o fizeram por conseguirem, de certo modo "comprar" os "demos" mais pobres, através das chamadas "hecatombes", que eram sacrifícios de cem animais (normante bovinos) para os cultos religiosos da época, ou seja, eram oferendas que faziam aos vários deuses do politeísmo grego antigo. A oferenda era o sangue, a carne era posteriormente doada às comunidades mais pobres, assim os "demos" que tinham condição de fazer as hecatombes "ganhavam" o prestígio das "demos" menores... como podemos perceber, a política acabava decidida em favor de quem possuía maior poder aquisitivo, por poder realizar as hecatombes. Além do fator de que na maioria das "demos" e "polis" as mulheres, as crianças, os estrangeiros, os escravos, não eram considerados de certo modo cidadãos, ou seja, não podiam exercer sua cidadania na "Ágora" (espaço político público, ou simplesmente praça pública). Que democracia é essa, que não dá voz a quem não é abastado economicamente? Que não dá voz à mulher? Que não dá voz à criança? Que não dá voz ao Escravo? Que não dá voz ao  estrangeiro?
A democracia grega não era tão bela como muitas histórias a traz... assim como a democracia brasileira atual, calcada no liberalismo burguês de Hobbes, Locke, Rousseau e Motesquieu na prática não corresponde à democracia que muitos desejam, ou seja, a democracia romantizada. Muitas coisas mudaram na democracia desta época para a democracia de hoje, muitas coisas melhoraram com estas mudanças, mas há muito ainda pra mudam, há muito ainda para melhorar, até que se cheguei na democracia que ideal, se é que ela é alcançável.
Hoje, ou seja, do iluminismo pra cá, aos poucos ocorreram significativas melhoras, por exemplo, hoje a mulher tem voz e pode exercer a sua cidadania; a criança tem voz e estatuto que a protege, bem como um representante legal, embora muitas ainda desconheçam seus direitos e deveres; a escravidão, ainda que ocorra em alguns lugares, foi abolida, foi proibida e não deveria e nem deve nunca existir; o estrangeiro, legalizado no Brasil, tem os seus direitos garantidos, mesmo o que está ilegal, possui as garantias de seus direitos, mas sob a pena de sua transgressão da lei; o idoso tem seus direitos; etc. O processo eleitoral no Brasil é democrático, as formas de governo nem sempre. Por desconhecimento de seus direitos e deveres, muitas pessoas ainda temem aqueles que detêm o "poder" em suas mãos. Nossa constituição assegura, nos moldes rousseauneanos a soberania que é, segundo este filósofo, inalienável, ou seja, não pode ser transferida, ou usurpada; ninguém tem o direito de suprimir a sua soberania individual e social, uma nação é tão soberana quanto o indivíduo e essa soberania deve ser respeitada, pois ela é inalienável. Um presidente ou presidenta, um governador ou governadora, deputado ou deputada, senador ou senadora, prefeito ou prefeita, vereador ou vereadora, diretor ou diretora, supervisor ou supervisora, ou qualquer outro segmento político, é um ou uma representante da soberania coletiva, da soberania social, que deve respeitar a soberania individual estabelecida durante o iluminismo por pacto ou contrato social. O indivíduo por sua vez deve respeitar a soberania social que é descrita e prescrita na Constituição Federal do Brasil.
A "Constituição Da República Federativa do Brasil" traz os seguintes dizeres:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL,2009, p. 8).

Aqueles que estão no poder, são apenas representantes do povo e deve administrar a máquina pública da forma mais ética possível, obedecendo as sansões morais que representam a vontade da maioria das pessoas de uma sociedade. Não pode haver abuso de autoridade (por parte dos que estão no poder) e nem desacato à autoridade (por parte dos que são representados). Deve haver ética, dialogo e representação. A lei tem a função de garantir a soberania do indivíduo e da nação e o indivíduo tem obrigações políticas em uma sociedade. Cumprir nossos deveres e exigir que nossos direitos sejam cumpridos e respeitados.

O presente artigo tem o fim de conscientizar a população sobre seus direitos e deveres, sendo que para tanto é necessário sabermos qual o significado da palavra democracia e analisarmos a democracia que vigora no Brasil. Temos o dever moral de zelar por quem é amoral, conscientizar quem é imoral e amadurecer nossos pensamentos com quem é moral através da, e buscando, a Ética.

Atenciosamente,
Prof. Marcelo Silva.


Indicações das leituras que me ajudaram formar opinião:

Catecismo Revolucionário - Bakunin

Constituição Da República Federativa do Brasil

Leviatã – Thomas Hobbes.

Segundo Tratado sobre o governo - Locke












Rousseau I (col. Os Pensadores) – Rousseau.












Montesquieu (col. Os Pensadores) – Mantesquieu.












A Conquista do Pão – Kropotkin.












Manifesto do Partido Comunista – Marx.



  








O Essencial Proudhon – Francisco Trindade.













Referências:

BAKUNIN, Mikhail; EO ESTADO, Deus. Catecismo revolucionário e programa da sociedade da revolução internacional. Tradução de Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Editora Imaginário, 2009.

BRAZIL, Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil: Texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nºs 1/92 a 58/2009 e pelas Emendas Constitucionais de Revisão nºs 1 a 6/94. - Brasília : Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2009.

DEMOCRACIA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2014. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Democracia&oldid=40178745>. Acesso em: 4 out. 2014.

HECATOMBE. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2014. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hecatombe&oldid=39958349>. Acesso em: 4 out. 2014.

HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. 1999.

KROPOTKIN, Petr Alekseevich. A conquista do pão. Guimarães, 1975.

LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista (1848). tradução de Sueli tomazini Barros Cassal. Porto Alegre: Editora L&PM, 2001.

MONTESQUIEU, Charles de Secondat. Baron de. O espírito das leis, v. 1, 1996.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os pensadores. Editado por Victor Civita. São Paulo: Abril Cultural, 1978.


TRINDADE, Francisco. O essencial Proudhon. 1999.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Quando Começar a Viver?!

Decidi fechar meu 2013 de postagens neste blog com esse vídeo que inúmeras vezes me "bateu na cara", me mostrou a beleza de se viver em uma pequena cidade rodeado de sobrinhos e amigos de sobrinhos, a importância de se ter água encanada, a necessidade de se ter o que comer, o quão importante é ter amigos e tantas outras coisas que o vídeo pode mostrar melhor que eu. Fecho meu 2013 mandando o forte abraço através deste vídeo a cada pessoa que fez parte da minha vida até o momento e abrindo os braços para todas que virão. Agradeço cada momento de aprendizagem com as crianças e o xadrez, com a juventude no refeitório, com as mais variadas idades no cineclube, com os vários amigos na música, no RPG, na astronomia, nas pedaladas, no skate, grupos de estudos, visitas em casa, papos filosóficos etc. e em especial a minha companheira por estar comigo nos momentos mais especiais da minha vida... agradeço a Deus por me possibilitar isso tudo!


Um forte abraço e que tenhamos um feliz 2014!!!  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Morte e Vida Severina em Desenho Animado

Lembro-me que um de meus primeiros contatos com a poesia foi no anos iniciais do fundamental. Confesso que a poesia não despertava muito minha atenção. Assim continuou sendo até os anos finais do fundamental e início do ensino médio, onde conheci algumas poesias que até me despertaram algumas sensações, porém nada de grandioso; não que estas não fossem grandes obras, mas eu não estava pronto para absorver a carga que uma poesia pode nos transportar. Comecei a trabalhar aos 13 anos com ritmo de empolgação muito alto, passaram-se os anos e minha empolgação transformou-se em desanimo. O motivo eu não sabia, nem compreendia ao certo o processo no qual eu estava inserido. Até que aos 17 anos eu conheci a poesia de João Cabral de Melo Neto; a obra era "Morte e vida severina". Lembro-me que a li e a cada estrofe meus olhos margeavam de água enquanto eu era arrebatado por um sentimento de indignação, de pena, de inconformidade e emoção ao descobrir que eu era um "Severino", da "Serra do Costela" magra e ossuda, que morre de velhice sol a sol antes dos trinta, nas emboscadas da vida antes dos vinte e de fome grão a grão de areia que passa por essa ampulheta metafísica chamada vida. E quando olhei pro lado vi tantos "Severinos" com as mesmas cabeças grandes se equilibrando sobre os corpos magros e frágeis, porém fortes como sempre, sobrevivendo e desta forma afrontando a morte que espreita do outro lado da cerca, esperando os corpos, de mesma essência e pouca tinta, se entregarem à descrença. João Cabral de Melo Neto me mostrou a vida e alguns motivos pelos quais ela precisa ser vivida, pois como me expresso em uma de minhas poesias, "(...) Vivida pra ser vida, Ser vida como comida, Com idas e vindas, A vida se vê consumida (...)"*. Foi em "Morte e vida severina" que pude perceber o potencial de uma poesia e pude compreender porque os versos uma poesia não podem ser substituídos por outra linguagem, ainda que possam se interligar a outras artes. O poeta, dirá Dilthey, é aquele que sem pretensão de dizer a realidade acaba por dizê-la da forma mais íntima e verdadeira, pois todo interno busca expressão no externo.




Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartuinista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.



Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.

TV Escola

Coordenação Geral de Produção
SUPERVISÃO GERAL DO PROJETO
Érico Monnerat

Direção Geral da TV Escola
Érico da Silveira    


* SILVA, M.A. Pra não remeter aos nomes. in: Comunidade dos Pensadores Livres. Disponível em: <http://ospensadoreslivres.blogspot.com.br/2012/10/pra-nao-remeter-aos-nomes.html> Acessado em: 19 Nov. 2013.

Morte e vida severina (animação baseada na obra de João Cabral de Melo Neto). In: YouTube.
Postado em: 02 Out. 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_gGnN4It8Dc> Acessado em: 08 Set. 2014.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Se Homero fosse "d'mentira" o mundo seria quadrado?

Escolhi iniciar o mês de Outubro com uma de minhas poesias. Espero que gostem:


Se Homero fosse “d’mentira” o mundo seria quadrado?

Marcelo Antonio da Silva[1]


E de repente tudo estava ali
Édipo e seu pai tomavam cachaça no bar
Aquiles se tornou podiatra
Medeia, filha de Eurípedes, está casada até hoje
Hermes, gago e sedentário, não teve filho algum
Medusa montou um salão de beleza que não tem nenhuma estátua de enfeite
Hércules nem se quer tirou carteira de trabalho
O mundo então ficou quadrado
E a guilhotina acabou se enferrujando
Tudo que sei não passou de um sonho
Do qual eu ainda não acordei ou pensei estar sonhando
Peguei tudo pronto
Fiquei com o problema que nem mesmo criei
Não acho a solução
E de troco me resta a angustia de não entender nada disso
Será que posso escolher começar tudo a partir de mim?
Ou será que até mesmo meu escolher é uma ilusão?
“Um silêncio as vezes pode dizer mais que uma palavra qualquer...”[2]




[1] Graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia e professor designado no Estado de Minas Gerais.
[2] Citação retirada de minha composição musical “Um sábio silêncio”.